Às 3h27 da manhã desta sexta-feira (22), numa situação absolutamente inédita, o governo de João Doria conseguiu antecipar o feriado de 9 de julho para a próxima segunda-feira (25) por 47 votos a 5. Depois de cinco sessões extraordinárias e com apoio do PT, a antecipação do feriado está aprovada.

A antecipação do feriado foi aprovada, mas o processo ainda não está concluído. A sessão será retomada às 10h para que emendas sejam analisadas. Para que o projeto se torne lei e passe a valer oficialmente, é necessário que os destaques sejam votados.

CONTRIBUIÇÃO

Os deputados do PT, Teonilio Barba, José Américo e Paulo Fiorillo, contribuíram para sacramentar a decisão que antecipou os feriados.

Ao longo da noite e da madrugada, tanto o PT, quanto o PSOL e o grupo bolsonarista, decidiram prolongar ao máximo a votação. A ideia foi apoiada por deputados que representam as cidades do litoral, como Caio França, do PSB. “Esse feriado prolongado pode acabar disseminando o vírus para as regiões do interior e do litoral”, disse ele.

“É incompatível porque seis dias de feriado acabam servindo como um estímulo para as pessoas passearem, para as pessoas se movimentarem, para as pessoas viajarem, para as pessoas visitarem e se aglomerarem”, disse Janaína Paschoal, do PSL.

Deputados do partido dela criticaram a postura do PT de apoiar o governador João Doria (PSDB) na aprovação do feriado.

“Hoje ficou clara a subserviência, a parceria e a união. E que o grande teatro que eles adoram fazer na tribuna é apenas para a torcida deles, infelizmente”, disse a parlamentar que recebeu mais votos na última eleição.

O argumento foi reforçado por deputados de várias legendas. Para quem representa o litoral, a medida poderia incentivar mais turistas e banhistas nas praias, como foi observado em Maresias, São Sebastião, nesta quinta-feira, segundo dia de feriado. As praias ficaram cheias, assim como mercados e farmácias da cidade.

LOCKDOWN

Ao longo de toda a quinta-feira, uma emenda do deputado Paulo Fiorillo, do PT, que foi publicada no Diário Oficial, se espalhou em grupos de WhatsApp. Ela pedia lockdown em São Paulo de 1° a 15 de junho.

“Nos podemos tentar fazer o debate, mas não vai passar. Vou discutir isso hoje”, disse Fiorillo.

A emenda foi rejeitada como todas as outras que tinham sido apresentadas durante o processo.

Fontes da prefeitura reconheceram que os modelos de lockdown tem sido estudados, mas dependeriam do governo estadual, justamente pelo fato de a medida depender de força policial e, portanto, do governo do estado, que controla a PM.